sexta-feira, 21 de outubro de 2011

DOS RATOS E DOS PREÁS



Atrás de casa tem uma família de preás que mora num capoeirão. Existe, também, um córrego que mais parece um valo e que nos separa. É verdade! Um valo, assim, destes que, aqueles que possuem a mente tacanha, jogam lixo. Eu falei do valo, digo, do córrego porque para que eles, os preás pudessem ir e vir da casa deles para minha e vice-versa, coloquei uma tábua que servisse de ponte – que seria uma ponte precária – e que servia bem para isso. Quando eles quisessem conversar comigo, eles atravessavam e cá vinham bater um “parangolé”. Bem, voltando a história deles, dia desses, o Atanásio, um preá, veio afoito e contou-me que estava tendo problemas com a vizinhança. Os ratos. Não desses ratos pequenos, mas, ratões. Como vocês sabem, tanto preás como os ratos são da mesma família dos roedores. Se bem que, a diferença é tamanha. Ratos são ratos e preás são preás. Como homens são homens e chimpanzés são chimpanzés e por aí vai. Os ratos têm a mesma mente tacanha como aqueles que jogam o lixo em qualquer lugar, se bem que a diferença é grande. Aqueles pensam que estão se livrando de um problema, pois, sua inteligência é curta e não conseguem enxergar a extensão do seu grotesco ato. Os ratos, por outro lado, fazem uso do lixo para encontrar o seu sustento e não enxergam que na sua procura, por entre o lixo, vêm junto com este lixo, outros animais que trazem consigo doenças e consequentemente os contraem. Ou seja, os ratos “pegam” a doença e a levam consigo por onde vão. Voltando ao problema do meu amigo Atanásio, o preá, ele me contou que os ratos estão atravessando a ponte e têm enfrentado a sua família. É importante que se diga que os preás são muito amistosos, pacíficos. Que não querem briga e que não são covardes. Até porque eles procuram se defender de forma inteligente como não poderia deixar de ser, construindo proteções como túneis em forma de labirinto, etc. Mas, diz que está demais. A proximidade deles está provocando a saida de uns parentes seus. Estes estão procurando outros locais para morar. Perguntou-me se teria alternativas para acabar com este seu problema, senão teria que retirar a ponte ou teria que ir embora como os seus parentes. Mas que coisa, não? No momento pensei que este pequeno roedor estava me pondo em “cheque”. Aí, refleti melhor e entendi que ele deve ter pensado muito para vir até aqui procurar a minha ajuda. Vajam só! E como eu não consegui – eu não consegui apesar de ter procurado os recursos competentes como fiscais da saude e etc. – perdi o contato com o amigo e acabei ficando eu com o problema dele. Pois ele, tirando a ponte, os ratos ficaram somente do lado de cá. Eu até gostaria de dizer-lhe que, além dos ratos, nós humanos, com o lixo neste vala aberta atrás da minha casa, temos outros problemas que são as baratas, maruins, borrachudos, mosquitos (da dengue?)...